<font color=0094E0>Unidade antifascista</font>

Tendo como objectivo unir todas as forças que se opunham à ditadura, o PCP, a par da criação de organismos dirigentes da luta popular, promoveu e reforçou movimentos e organizações unitárias antifascistas, procurando, por essa via, aproveitar as possibilidades de acção legal e semilegal para intervir junto das massas, consciencializá-las, dinamizá-las e organizá-las, desenvolvendo uma luta política aberta contra o regime fascista e alargando a base social dos que se lhe opunham.
Tal foi o caso das «eleições» presidenciais de 1958, e de oportunidades semelhantes nas «eleições» anteriores para a Assembleia Nacional, a partir de 1945, ou para a Presidência da República, nos anos de 1949, com a candidatura de Norton de Matos, e de 1951, com a candidatura de Ruy Luís Gomes.
Foi também nesse quadro que durante décadas o Partido se bateu com sucesso pela formação de Comissões de Unidade e Comissões Sindicais para a direcção das lutas dos trabalhadores; fomentou organismos muito diversos destinados a intervir nas áreas da cultura e lazer, da amnistia, de socorro aos presos políticos, pela paz e contra a guerra; criou organizações unitárias de expressão nacional congregando variadas tendências da oposição, como o Movimento de Unidade Anti-Fascista (MUNAF), em 1943, o Movimento de Unidade Democrática (MUD e o MUDJuvenil), em 1945, o Movimento Nacional Democrático (MND), em 1949, e, já depois das campanhas de Arlindo Vicente e Humberto Delgado, a Junta de Libertação Nacional (JLN), em 1958, e a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), em 1962.

Política de alianças

A prática levada a cabo pelo Partido decorreu da análise concreta da posição e interesses antagónicos das várias classes sociais, das contradições de classe fundamentais consideradas num determinado período do desenvolvimento social e pelos objectivos do proletariado numa determinada fase da revolução, rejeitando quer esquemas inflexíveis e abstractos que ignoram condições sociais e políticas concretas, quer variações conjunturais do fluxo revolucionário, embora atendendo às correcções que situações pontuais impõem.
Ao definirem o regime fascista como a ditadura terrorista dos monopólios e dos latifundiários aliados ao imperialismo, que atingia duramente outros classes e camadas sociais não proletárias, os comunistas identificaram a base mais firme do sistema de alianças tendo como objectivo a Revolução Democrática e Nacional.
Dando o mais vivo combate a tendências esquerdistas, o PCP insistiu que no período da ditadura fascista o inimigo comum era o grande capital industrial, financeiro e agrário e o imperialismo estrangeiro, traçando, desta maneira, a justa orientação que permitiu consolidar uma vasta frente antimonopolista, retirar de forma contínua e crescente a base social de apoio à ditadura, atraindo amplas camadas da intelectualidade democrática, da pequena burguesia urbana e do campesinato para o campo antifascista, mantendo a classe operária e todos os trabalhadores como a força motriz do movimento de massas revolucionário.


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